Os tipos de aparelho auditivo se dividem em duas famílias: os intra-auriculares, que ficam dentro do ouvido, e os retroauriculares, que ficam atrás da orelha. Dentro delas estão os 8 modelos principais do mercado: MC, CIC, ITC, meia-concha, intra-auricular, BTE, RIC e adaptação aberta.
A escolha entre eles depende do grau da perda auditiva, do nível de discrição que você procura e da sua rotina. Um modelo quase invisível dentro do canal atende bem uma perda leve, enquanto perdas mais severas pedem aparelhos com mais potência.
Neste artigo, você conhece cada tipo de aparelho auditivo, para qual grau de perda ele é indicado e o que considerar na hora de escolher. Continue a leitura.
Quais são os tipos de aparelho auditivo?
Existem 8 tipos principais de aparelho auditivo, organizados em duas famílias de acordo com a posição no ouvido:
Intra-auriculares (dentro do ouvido):
- Mini-canal (MC);
- Completamente no canal (CIC);
- Intra-canal (ITC);
- Meia-concha (HS);
- Intra-auricular (ITE).
Retroauriculares (atrás da orelha):
- Retroauricular (BTE);
- Receptor no canal (RIC);
- Adaptação aberta.
A diferença entre as famílias vai além da posição. Nos intra-auriculares, todos os componentes ficam dentro de uma cápsula moldada para o canal auditivo, o que privilegia a discrição. Nos retroauriculares, a parte eletrônica fica atrás da orelha, o que permite mais potência e atende inclusive perdas profundas.
Não existe um tipo melhor que o outro: existe o tipo certo para cada caso. O grau da perda auditiva, o formato do canal, a destreza para manusear peças pequenas e até a produção de cera influenciam a indicação, feita pelo fonoaudiólogo após os exames auditivos.
Aparelhos auditivos intra-auriculares: os que ficam dentro do ouvido
Os aparelhos intra-auriculares concentram todos os componentes em uma única cápsula, moldada sob medida para o canal auditivo de cada pessoa. São os preferidos de quem busca discrição, e variam de modelos praticamente invisíveis a opções maiores e mais fáceis de manusear.
Mini-canal (MC)
É o menor modelo disponível. A cápsula fica inteira dentro do canal auditivo, o que o torna praticamente invisível para quem olha de fora.
É indicado para perdas auditivas de leve a moderada. Pelo tamanho reduzido, é a escolha de quem prioriza a estética acima de tudo, mas exige boa destreza no manuseio, já que as peças e a bateria são muito pequenas.
Completamente no canal (CIC)
Fica quase todo dentro do canal auditivo, estendendo-se levemente para fora do conduto. Na prática, continua sendo um aparelho muito discreto, difícil de notar.
Atende perdas auditivas de leve a moderadamente severa, uma faixa um pouco maior que a do MC. É o equilíbrio entre invisibilidade e um mínimo de facilidade a mais na hora de colocar e retirar.
Intra-canal (ITC)
Fica na entrada do canal auditivo, sendo um pouco mais visível que o MC e o CIC. Em compensação, o tamanho maior facilita o manuseio diário.
É indicado para perdas de leve a moderadamente severa. Por ser uma peça única e prática, costuma agradar quem quer discrição sem abrir mão do conforto no dia a dia.
Meia-concha (HS)
Preenche parte da concha da orelha, a região côncava ao redor da entrada do canal. É maior e mais visível que os modelos anteriores.
Atende perdas auditivas de leve a severa. O tamanho extra permite mais potência, bateria de maior duração e manuseio muito mais simples, um ponto importante para quem tem dificuldade com peças pequenas.
Intra-auricular (ITE)
É o maior modelo da família, ocupando parte considerável da concha da orelha. É facilmente visível, então não é a escolha de quem busca um aparelho imperceptível.
Em troca, é o intra-auricular mais potente e o mais fácil de manusear, indicado para perdas de leve a severa. Para muitas pessoas, especialmente idosos, a praticidade vale mais que a discrição.
Aparelhos auditivos retroauriculares: os que ficam atrás da orelha
Nos aparelhos retroauriculares, a parte eletrônica fica em uma peça apoiada atrás da orelha, conectada ao canal auditivo por um tubo fino ou um fio discreto. Essa arquitetura libera espaço para mais potência e mais recursos, e é por isso que essa família cobre desde perdas leves até as profundas.
E um detalhe que surpreende muita gente: atrás da orelha não significa aparente. Os modelos atuais são finos, e as cores que se misturam ao tom de pele e ao cabelo deixam o conjunto praticamente imperceptível.
Retroauricular (BTE)
É o modelo clássico da família. Todos os componentes ficam na peça atrás da orelha, ligada ao ouvido por um tubo que conduz o som.
É o tipo mais versátil em potência: atende de perdas leves a profundas, sendo muitas vezes a única opção não cirúrgica para os graus mais avançados. Também é robusto e fácil de manusear, o que o torna indicado para todas as idades, de crianças a idosos.
Receptor no canal (RIC)
No RIC, a caixa atrás da orelha se conecta a um fio extremamente fino, quase transparente, que leva o receptor para dentro do canal auditivo.
Essa separação deixa a peça externa menor que a do BTE e o som mais natural. É indicado para perdas de leve a moderadamente severa e hoje é um dos modelos mais adotados no mundo, justamente por unir discrição, conforto e tecnologia.
Adaptação aberta
Semelhante ao RIC na aparência, este modelo mantém o canal auditivo desobstruído: um tubo fino conduz o som sem vedar o ouvido.
Essa abertura evita a sensação de ouvido tampado e o incômodo com a própria voz, queixas comuns de quem está começando a usar aparelho. É indicado para perdas de leve a moderadamente severa, principalmente quando a perda se concentra nos sons agudos.
Conhecendo as duas famílias, a pergunta que fica é: qual delas faz sentido para o seu caso? O próximo tópico coloca tudo lado a lado para facilitar a comparação.
Qual tipo de aparelho auditivo escolher?
A escolha do aparelho auditivo depende, antes de tudo, do grau da sua perda auditiva, identificado nos exames. A partir daí, entram os critérios de estilo de vida. A tabela abaixo resume as opções:
| Modelo | Posição | Grau de perda indicado | Discrição |
|---|---|---|---|
| Mini-canal (MC) | Dentro do canal | Leve a moderada | Praticamente invisível |
| Completamente no canal (CIC) | Dentro do canal | Leve a moderadamente severa | Praticamente invisível |
| Intra-canal (ITC) | Entrada do canal | Leve a moderadamente severa | Discreto |
| Meia-concha (HS) | Parte da concha | Leve a severa | Visível |
| Intra-auricular (ITE) | Concha da orelha | Leve a severa | Visível |
| Retroauricular (BTE) | Atrás da orelha | Leve a profunda | Depende da cor e do cabelo |
| Receptor no canal (RIC) | Atrás da orelha | Leve a moderadamente severa | Muito discreto |
| Adaptação aberta | Atrás da orelha | Leve a moderadamente severa | Muito discreto |
Além do grau da perda, quatro fatores costumam definir a escolha:
Discrição: se a prioridade é um aparelho imperceptível, MC, CIC e RIC lideram, cada um com seu limite de potência.
Manuseio: peças menores exigem mais destreza. Para quem tem dificuldade com objetos pequenos, HS, ITE e BTE são mais práticos no dia a dia.
Conforto e ventilação: quem se incomoda com a sensação de ouvido tampado tende a se adaptar melhor aos modelos abertos, como a adaptação aberta e o RIC.
Recursos e conectividade: os modelos atrás da orelha costumam oferecer mais espaço para tecnologias como Bluetooth, conexão com o celular e baterias recarregáveis.
Importante: esta tabela orienta, mas não substitui a avaliação profissional. Quem indica o tipo e regula o aparelho para o seu perfil auditivo é o fonoaudiólogo, com base na audiometria e no seu histórico. O aparelho certo é o que foi adaptado para você, não o que funcionou para outra pessoa.
Perguntas frequentes sobre tipos de aparelho auditivo
Os modelos mais discretos são o mini-canal (MC) e o completamente no canal (CIC), que ficam dentro do canal auditivo e são praticamente invisíveis. Entre os retroauriculares, o RIC é o mais discreto, com um fio quase transparente. A escolha depende de o grau da perda ser compatível com esses modelos.
O retroauricular (BTE) é o tipo indicado para perdas profundas, por ser o modelo com maior potência. Nos graus mais avançados, ele costuma ser a única opção não cirúrgica de tratamento.
Os dispositivos vendidos em farmácias e sites são, em geral, amplificadores de som, não aparelhos auditivos. Eles aumentam todos os sons de forma igual, sem regulagem para o seu perfil auditivo, e o volume sem controle pode inclusive agravar a perda auditiva. O aparelho auditivo é um dispositivo médico, regulado pela Anvisa e adaptado por um fonoaudiólogo.
Sim. O aparelho auditivo é programado de acordo com o resultado da sua audiometria, frequência por frequência. Sem essa regulagem, o dispositivo pode amplificar sons que você não precisa e deixar de compensar os que você não escuta.
Encontre o tipo certo para a sua audição
Agora você conhece os 8 tipos de aparelho auditivo, as duas famílias e os critérios que definem a escolha. O caminho seguro começa com a avaliação auditiva e termina com a adaptação feita por um profissional.
Se quiser conhecer aparelhos específicos, veja nosso artigo sobre os principais modelos de aparelhos auditivos Oticon, marca dinamarquesa que a AudioFisa representa em Brasília.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo.



