Perda auditiva severa: diagnóstico e como contornar

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Mulher com dedos no ouvido com expressão de dor.

Você já parou para pensar o quanto os sons fazem parte da sua vida? Uma conversa com um amigo, o barulho da chuva, a voz de quem você ama. Agora imagine perder tudo isso. É essa a realidade de milhões de pessoas que convivem com a perda auditiva severa a profunda.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 36 milhões de pessoas no mundo vivem com esse grau de deficiência auditiva. E o que muita gente não sabe é que, em grande parte dos casos, a surdez não surge do nada: ela pode começar em graus mais leves e evoluir com o tempo, justamente pela falta de diagnóstico e tratamento precoce.

Neste artigo, você vai entender o que é a perda auditiva severa a profunda, quais são seus graus, como ela impacta a vida de quem convive com essa condição e quais tratamentos estão disponíveis. Se você ou alguém próximo apresenta sinais de dificuldade auditiva, continue lendo. Quanto antes o problema for identificado, maiores as chances de preservar a qualidade de vida.

O que é a perda auditiva severa?

A perda auditiva severa é um grau avançado de deficiência auditiva em que a pessoa consegue perceber muito poucos sons, e apenas quando eles são bastante intensos. Nesse estágio, sons comuns do dia a dia, como uma conversa normal, o toque do telefone ou o barulho de carros na rua, simplesmente não são ouvidos.

Ela é diagnosticada quando a pessoa só consegue identificar sons acima de 70 decibéis, o que equivale ao volume de um aspirador de pó ou de uma campainha bem próxima. Abaixo disso, o silêncio é total.

Diferente da surdez profunda, em que praticamente nenhum som é percebido, a perda severa ainda permite alguma percepção auditiva. No entanto, sem o tratamento adequado, ela pode evoluir para o grau mais crítico, comprometendo ainda mais a qualidade de vida de quem convive com essa condição. 

Quais são os graus da perda auditiva?

De acordo com a OMS, a perda auditiva é classificada em quatro graus, definidos pelo nível de percepção e entendimento dos sons.

O diagnóstico precoce é importante porque, caso não seja tratado, o problema pode evoluir para graus mais altos, podendo chegar à surdez total. Veja, a seguir, quais são os níveis de perda de audição:

  • Leve: no primeiro grau de perda auditiva, há dificuldade para entender uma conversa em tom mais baixo, a uma certa distância ou quando há ruídos, mas ainda é possível conversar normalmente se a pessoa não estiver muito longe ou se não houver muito barulho em volta.
  • Moderado: nesse estágio, a pessoa consegue ouvir sons mais altos, como um liquidificador ligado ou conversas em tom de voz elevado, no entanto, se a fala for em tom normal, percebe-se apenas um ruído, sem identificá-lo. é preciso fazer leitura labial ou usar a linguagem de sinais.
  • Profundo: no último grau de deficiência auditiva, não é possível ouvir mais nada, com exceção de sons extremamente altos, como a turbina de um avião, que, em alguns casos, pode ser escutada. Muitas vezes, os sons são percebidos apenas como vibrações e a comunicação só é possível com linguagem de sinais, leitura labial ou leitura e escrita.

Para saber mais sobre os níveis de perda auditiva, acesse: Os diferentes graus da perda auditiva e seus tratamentos 

Impacto da perda auditiva severa na sua vida

A privação de sons deixa a pessoa com perda auditiva exposta a uma série de complicações e riscos em seu dia a dia. Com o comprometimento da audição, as atividades cerebrais, como atenção, concentração e memória, também são afetadas e o esforço do cérebro para tentar ouvir pode levar a fadiga e irritabilidade.

Por isso, é essencial estar atento a qualquer sinal de dificuldade auditiva e procurar um otorrino para avaliações. Negligenciar sua audição pode levar a muitos transtornos que podem ser evitados com o tratamento.

Veja, a seguir, alguns motivos para tratar a perda auditiva severa a profunda: 

Desenvolvimento da linguagem

Para crianças, qualquer dificuldade para ouvir pode resultar em atrasos nos processos de aprendizagem, comunicação e socialização e, como a audição é extremamente importante na aquisição da linguagem, a criança com perda auditiva severa a profunda pode não só não conseguir falar como também não desenvolver sua cognição adequadamente.

O Teste da Orelhinha, obrigatório em hospitais públicos e privados, é uma das formas de diagnosticar deficiências auditivas no bebê. Se houver alterações, o fonoaudiólogo indicará aos pais os encaminhamentos e tratamentos que podem auxiliar a criança com surdez. 

 

Convívio pessoal e profissional

Sem ouvir quase nenhum som, a pessoa com perda auditiva severa a profunda depende de próteses, como aparelhos auditivos, para conseguir manter relacionamentos pessoais e profissionais. Somente com os dispositivos, ela poderá comunicar-se e, consequentemente, conquistar um espaço no mercado de trabalho.

 

Segurança em casa e na rua

Riscos de acidentes são constantes para uma pessoa que não consegue ouvir. Como, em alguns casos, nem mesmo uma sirene pode ser ouvida, o deficiente auditivo fica exposto a muitos perigos, seja em casa, seja no trabalho, seja ao andar pela rua. Mais uma vez, apenas o uso de aparelhos pode minimizar esses riscos.

 

Perdas cognitivas e demência

Sem estímulos sonoros, o cérebro deixa de criar uma série de conexões, o que resulta em queda das capacidades cognitivas e pode levar ao surgimento de demências. Um estudo da revista médica JAMA Neurology revelou que pessoas com perda auditiva leve têm quase o dobro do risco de desenvolver demência em comparação a pessoas com audição normal; com perda moderada, três vezes; e pessoas com perda severa têm cinco vezes mais chances de desenvolver algum tipo demência, como o Alzheimer.

Além disso, a OMS indica que existe uma relação entre a deterioração cognitiva e a demência com fatores como depressão e isolamento social, duas condições bem comuns a pessoas que convivem com perda auditiva.

Por essas razões, o tratamento da perda auditiva é fundamental para prevenir o aparecimento ou retardar o progresso de demências. Com o uso de aparelhos auditivos, além de recuperar sons que vão estimular o cérebro, a propensão ao isolamento diminui, pois a pessoa sente-se mais segura e confiante para interagir e levar uma vida normal.

Leia também: Como o aparelho auditivo pode melhorar sua relação com as pessoas

A perda auditiva severa realmente tem tratamento?

Como é feito o tratamento para perda auditiva severa a profunda?

O tratamento para perda auditiva severa a profunda varia de acordo com o grau da perda, a causa do problema e o perfil de cada paciente. No entanto, na maioria dos casos, ele passa por uma ou mais das seguintes abordagens:

Aparelho auditivo: é o tratamento mais comum e acessível para a perda auditiva severa. Os dispositivos amplificam os sons do ambiente e os adaptam ao perfil auditivo de cada pessoa. Atualmente, há aparelhos com tecnologias avançadas que podem devolver a audição mesmo nos graus mais altos, com recursos como conexão Bluetooth, redução de ruído e processamento inteligente de sons.

Implante coclear: indicado para casos em que o aparelho auditivo já não oferece benefício suficiente, o implante coclear é um dispositivo eletrônico implantado cirurgicamente que estimula diretamente o nervo auditivo, permitindo a percepção dos sons mesmo em perdas profundas.

Reabilitação auditiva: independentemente do dispositivo utilizado, o acompanhamento fonoaudiológico é parte fundamental do tratamento. É ele que garante a adaptação correta do aparelho, a regulagem ideal para o perfil do paciente e o suporte ao longo do tempo.

É fácil entender por que o aparelho auditivo é indispensável para o dia a dia de quem tem perda auditiva severa a profunda: sem ele, praticamente nenhum som será percebido. Então, se você tem indicação para o uso do dispositivo, procure a AudioFisa e teste, gratuitamente, um aparelho auditivo por 7 dias. Para que o processo seja ainda mais tranquilo, você conta com o acompanhamento completo de nossos profissionais em todas as etapas.

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Fga. Ariane Gonçalves

Fonoaudióloga • CRFa 5-11150

Graduada em Fonoaudiologia pelo Centro Universitário Planalto do Distrito Federal, Ariane Gonçalves possui pós-graduação em Audiologia Clínica e Ocupacional pelo Centro de Especialização em Fonoaudiologia.

Atua com foco em avaliação auditiva, adaptação de aparelhos auditivos e acompanhamento fonoaudiológico, ajudando pacientes a retomarem a conexão com os sons e a qualidade de vida por meio de um atendimento humanizado, cuidadoso e orientado às necessidades de cada pessoa.

Na AudioFisa, participa da produção e revisão de conteúdos educativos sobre saúde auditiva, exames, perda auditiva e reabilitação auditiva, sempre com base em informação clara, responsável e acessível.

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