Sim. Pessoas com hipotireoidismo têm mais chance de desenvolver zumbido no ouvido. Um grande estudo populacional publicado em 2022 na revista Scientific Reports mostrou que o risco de zumbido foi cerca de 35% maior entre pacientes com hipotireoidismo, mesmo depois de considerar idade, sexo e outras doenças. A alteração da tireoide não é a única causa possível, mas deve ser investigada quando o zumbido aparece.
Neste conteúdo, você vai entender por que a tireoide pode interferir na audição, se o zumbido melhora com o tratamento e quais exames ajudam a descobrir a origem do problema.
O que os estudos mostram sobre hipotireoidismo e zumbido
A relação entre tireoide e audição é estudada há décadas, mas os dados mais consistentes vêm de estudos populacionais recentes.
No estudo de 2022, pesquisadores de Taiwan acompanharam pacientes diagnosticados com hipotireoidismo e compararam com pessoas sem a doença. A incidência de zumbido foi de 9,49 casos por mil pessoas por ano no grupo com hipotireoidismo, contra 6,03 no grupo sem a doença.
O mesmo estudo observou que o risco é ainda maior quando o hipotireoidismo vem acompanhado de:
- Tontura ou vertigem;
- Perda auditiva;
- Insônia.
Isso não significa que toda pessoa com hipotireoidismo terá zumbido. Significa que a doença é um fator de risco real e que vale olhar para a audição de quem tem alteração na tireoide.
Por que a tireoide pode afetar a audição
Os hormônios da tireoide participam do funcionamento de praticamente todos os tecidos do corpo, incluindo a orelha interna. Eles são essenciais para a formação da cóclea ainda na gestação e continuam influenciando o metabolismo das células auditivas ao longo da vida.
Os pesquisadores ainda não sabem exatamente como o hipotireoidismo leva ao zumbido. As principais hipóteses são:
- Metabolismo mais lento na orelha interna: a falta de hormônio pode prejudicar o funcionamento das células que transformam o som em sinal elétrico;
- Alterações na circulação: o hipotireoidismo pode elevar o colesterol e alterar a circulação sanguínea, o que afeta estruturas delicadas do ouvido;
- Acúmulo de substâncias nos tecidos: o hipotireoidismo pode causar inchaço por acúmulo de substâncias nos tecidos, o que pode interferir no ouvido médio e interno;
- Processo autoimune: na tireoidite de Hashimoto, a mesma resposta autoimune que ataca a tireoide pode estar relacionada a alterações na orelha interna.
Na prática, é comum que o zumbido apareça junto com uma perda auditiva, às vezes tão leve que a pessoa ainda não percebeu.
Hipotireoidismo também pode causar perda auditiva?
Sim. Estudos observacionais associam o hipotireoidismo a uma frequência maior de perda auditiva, geralmente do tipo neurossensorial, leve e nos dois ouvidos. As frequências agudas costumam ser as primeiras afetadas.
Essa relação é importante porque a perda auditiva é a causa mais comum de zumbido. Quando o ouvido deixa de captar alguns sons, o cérebro pode “compensar” essa falta produzindo o som que a pessoa escuta.
Por isso, quem tem hipotireoidismo e começa a notar zumbido, dificuldade para entender conversas ou necessidade de aumentar o volume da TV deve fazer uma avaliação auditiva.
Tireoidite de Hashimoto e zumbido
A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo. É uma doença autoimune, em que o próprio sistema de defesa do corpo ataca a tireoide.
Doenças autoimunes em geral são associadas a alterações na orelha interna, e há relatos de perda auditiva e zumbido em pessoas com Hashimoto. A relação direta ainda está sendo estudada, mas quem tem o diagnóstico e sente zumbido, tontura ou sensação de ouvido tapado deve incluir a audição no acompanhamento.
Hipertireoidismo também causa zumbido?
Sim. O excesso de hormônio da tireoide também está associado ao zumbido. Um estudo publicado em 2021 na Frontiers in Endocrinology, com a mesma metodologia do estudo sobre hipotireoidismo, encontrou incidência de zumbido de 7,86 casos por mil pessoas por ano entre pacientes com hipertireoidismo, contra 5,05 entre pessoas sem a doença.
No hipertireoidismo, o coração bate mais rápido e o fluxo de sangue aumenta. Em algumas pessoas, isso pode causar o zumbido pulsátil, aquele que acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos.
Ou seja: qualquer alteração da tireoide, para mais ou para menos, merece atenção quando o assunto é zumbido.
O zumbido melhora com o tratamento da tireoide?
Em muitos casos, controlar os níveis hormonais ajuda a melhorar o zumbido e outros sintomas auditivos, principalmente quando o diagnóstico é feito cedo. Mas não é possível garantir que o zumbido vai desaparecer só com o tratamento da tireoide.
Isso acontece porque o zumbido pode ter mais de uma causa ao mesmo tempo. Se já existe uma perda auditiva instalada, por exemplo, ela pode continuar provocando o zumbido mesmo com a tireoide controlada.
Por isso, o ideal é tratar as duas frentes em paralelo: o acompanhamento com o endocrinologista e a avaliação auditiva com o fonoaudiólogo.
Outros sintomas do hipotireoidismo
Além do zumbido, o hipotireoidismo costuma provocar sinais que aparecem aos poucos e são facilmente confundidos com cansaço ou envelhecimento:
- Cansaço e sonolência frequentes;
- Ganho de peso sem mudança na alimentação;
- Sensação de frio fora do comum;
- Pele seca e queda de cabelo;
- Intestino preso;
- Dificuldade de concentração e memória;
- Rouquidão;
- Inchaço no rosto;
- Alterações no ciclo menstrual.
Se você reconhece vários desses sinais junto com o zumbido, converse com seu médico sobre avaliar a tireoide.
Quando procurar ajuda e quais exames fazer
Procure avaliação se o zumbido:
- Dura mais de alguns dias ou volta com frequência;
- Atrapalha o sono, a concentração ou o humor;
- Vem acompanhado de dificuldade para ouvir ou entender conversas;
- Aparece junto com tontura ou sensação de ouvido tapado.
Atenção: zumbido que surge de repente em um só ouvido, junto com perda de audição, pode indicar perda auditiva súbita. Nesse caso, procure atendimento médico com urgência, porque o tratamento nas primeiras horas e dias faz diferença. Zumbido pulsátil, que acompanha os batimentos do coração, também deve ser avaliado por um médico.
Os exames que ajudam a descobrir a origem do zumbido são:
Para a tireoide (solicitados pelo médico):
- TSH;
- T4 livre;
- Anticorpos antitireoidianos, como o anti-TPO, quando há suspeita de Hashimoto.
Para a audição (realizados pelo fonoaudiólogo):
- Audiometria tonal e vocal, que mede o quanto você ouve e entende a fala;
- Imitanciometria, que avalia o funcionamento do ouvido médio;
- Acufenometria, que identifica a frequência e a intensidade do zumbido.
Na AudioFisa, a avaliação auditiva é feita por fonoaudiólogos especializados. Saiba mais sobre o diagnóstico da perda auditiva.
Como tratar o zumbido
O tratamento depende da causa. Quando o zumbido está ligado ao hipotireoidismo, o primeiro passo é o controle hormonal orientado pelo médico. Em paralelo, algumas abordagens ajudam a reduzir o incômodo:
- Aparelho auditivo: quando há perda auditiva, devolver os sons que o ouvido deixou de captar costuma diminuir a percepção do zumbido;
- Terapia sonora: sons suaves e constantes ajudam o cérebro a dar menos atenção ao zumbido. Muitos aparelhos auditivos já têm geradores de som integrados para isso;
- Terapia de habituação: acompanhamento que ensina o cérebro a tratar o zumbido como um som sem importância;
- Cuidados com sono e ansiedade: o zumbido tende a piorar com estresse e noites mal dormidas.
Entenda todas as opções no nosso conteúdo sobre zumbido no ouvido.
Para informar-se adequadamente sobre este assunto, leia também o nosso conteúdo: ZUMBIDO NO OUVIDO E A PERDA AUDITIVA: Entenda a relação.
Perguntas frequentes
Sim. As alterações auditivas associadas ao hipotireoidismo costumam afetar os dois ouvidos, embora o zumbido possa ser percebido mais de um lado.
Pode, principalmente no hipertireoidismo, em que o fluxo de sangue fica mais intenso. Todo zumbido pulsátil deve ser investigado por um médico, porque também pode ter origem vascular.
Em muitos casos, o zumbido melhora com o controle da tireoide. Quando ele persiste, existem tratamentos eficazes para reduzir o incômodo, como terapia sonora e aparelhos auditivos com gerador de som.
É recomendável, principalmente se houver zumbido, tontura ou dificuldade para entender conversas. A audiometria identifica perdas leves que ainda não foram percebidas no dia a dia.
O endocrinologista cuida da tireoide e o otorrinolaringologista investiga as causas do zumbido. O fonoaudiólogo realiza os exames auditivos e conduz a reabilitação, incluindo a adaptação de aparelhos auditivos quando necessário.
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Referências
- Hypothyroidism and related comorbidities on the risks of developing tinnitus. Scientific Reports, 2022. https://www.nature.com/articles/s41598-022-07457-0
- Increased incidence of tinnitus following a hyperthyroidism diagnosis: a population-based longitudinal study. Frontiers in Endocrinology, 2021. https://www.frontiersin.org/journals/endocrinology/articles/10.3389/fendo.2021.741719/full



