Surdez é um termo comum, mas que muita gente ainda não entende completamente. Nem toda perda auditiva significa parar de ouvir totalmente. Na maioria dos casos, ela começa de forma leve e evolui aos poucos.
O problema é que, por ser gradual, muitas pessoas demoram para perceber. Começam a aumentar o volume da TV, pedem para repetir o que foi dito ou sentem dificuldade em acompanhar conversas, principalmente em ambientes com ruído.
Entender o que é surdez, seus tipos e níveis é o primeiro passo para identificar o problema cedo e buscar a melhor solução. Quanto antes isso acontece, maiores são as chances de manter a qualidade de vida e a comunicação no dia a dia.
O que é surdez?
Surdez é a perda significativa ou total da capacidade de ouvir sons. Ela pode afetar um ou os dois ouvidos e variar em intensidade, desde dificuldades mais leves até a ausência completa de audição.
Na prática, a surdez não significa apenas “não ouvir”. Em muitos casos, a pessoa até percebe sons, mas tem dificuldade para entender a fala, principalmente em ambientes com ruído ou em conversas com várias pessoas.
A surdez pode surgir em diferentes momentos da vida. Algumas pessoas já nascem com essa condição, enquanto outras a desenvolvem ao longo do tempo, por fatores como envelhecimento, exposição a ruídos ou problemas de saúde.
Outro ponto importante é que a surdez pode ter diferentes níveis e tipos, o que influencia diretamente na forma como ela impacta o dia a dia e nas possibilidades de tratamento.
Por isso, o diagnóstico correto é essencial para entender o grau da perda e definir o melhor caminho para melhorar a audição e a comunicação.
Diferença entre surdez e deficiência auditiva
A diferença entre surdez e deficiência auditiva está, principalmente, no grau da perda de audição.
A deficiência auditiva é um termo mais amplo. Ela engloba todos os níveis de perda auditiva, desde leves até mais severos, em que a pessoa ainda pode ter algum nível de audição.
Já a surdez costuma ser usada para descrever os casos mais profundos, em que a perda auditiva é intensa ou total, dificultando significativamente a percepção dos sons e da fala.
Na prática, isso significa que nem toda pessoa com deficiência auditiva é surda. Mas toda pessoa com surdez está dentro do grupo de deficiência auditiva.
Entender essa diferença é importante para evitar confusões e, principalmente, para direcionar o diagnóstico e o tratamento de forma mais adequada.
Leia também: Músicos: como são afetados pela perda auditiva
Tipos de surdez
A surdez pode ser classificada de acordo com a parte do sistema auditivo que foi afetada. Entender o tipo de surdez é essencial para definir o tratamento mais adequado.
Condutiva
Ocorre quando há dificuldade na condução do som até o ouvido interno. Pode estar relacionada a problemas no ouvido externo ou médio, como acúmulo de cera, infecções ou alterações no tímpano.
Em muitos casos, esse tipo de surdez pode ser tratado e até revertido, dependendo da causa.
Sensorioneural
É causada por alterações no ouvido interno ou no nervo auditivo. Pode estar associada ao envelhecimento, exposição a sons altos ou fatores genéticos.
Geralmente, é permanente e exige acompanhamento e reabilitação auditiva.
Surdez mista
Acontece quando há uma combinação da surdez condutiva com a sensorioneural. Ou seja, existe um problema tanto na condução do som quanto na percepção auditiva.
Identificar corretamente o tipo de surdez é fundamental para escolher o melhor tratamento e melhorar a qualidade de vida.
Leia também: Conheça os principais tipos de perda auditiva
Causas da surdez
A surdez pode ter diferentes causas, que variam de acordo com a idade, hábitos e condições de saúde de cada pessoa.
Envelhecimento
Com o passar dos anos, é comum ocorrer uma perda gradual da audição. Esse processo é natural e está relacionado ao desgaste das estruturas do ouvido.
Exposição a sons intensos
O contato frequente com ruídos altos, como música em volume elevado ou ambientes barulhentos, pode causar danos permanentes à audição.
Infecções no ouvido
Infecções podem afetar diferentes partes do ouvido e, quando não tratadas corretamente, podem levar à perda auditiva.
Fatores genéticos
Algumas pessoas já nascem com predisposição para desenvolver surdez ou podem apresentar a condição desde o nascimento.
Uso de medicamentos ototóxicos
Certos medicamentos podem causar danos ao sistema auditivo, especialmente quando usados sem acompanhamento adequado.
Traumas e lesões
Batidas na cabeça ou lesões no ouvido podem comprometer a audição de forma parcial ou total.
Doenças e condições de saúde
Problemas como diabetes, hipertensão e alterações no ouvido interno também podem afetar a audição ao longo do tempo.
Cada causa pode impactar a audição de forma diferente e exige abordagens específicas. Por isso, identificar a origem do problema é essencial para definir o tratamento mais adequado.
Leia também: Coceira no ouvido: o que pode ser?
Quais exames o especialista pode solicitar para identificar a surdez?

O diagnóstico da surdez é feito por um médico otorrinolaringologista, com o apoio de exames que avaliam a audição de forma precisa.
Esses exames ajudam a identificar o tipo, o grau e a possível causa da perda auditiva.
Audiometria
A audiometria é o principal exame para avaliar a audição. Ela mede a capacidade de ouvir diferentes sons e frequências em cada ouvido.
Com esse exame, é possível identificar o grau da perda auditiva e se a surdez afeta um ou ambos os ouvidos.
Imitanciometria
Esse exame avalia o funcionamento do ouvido médio, analisando a mobilidade do tímpano e a resposta a estímulos sonoros.
É útil para identificar problemas como infecções, presença de líquido ou alterações na condução do som.
Emissões otoacústicas
As emissões otoacústicas verificam o funcionamento das células do ouvido interno.
Esse exame é bastante utilizado para detectar alterações precoces na audição, inclusive em recém-nascidos.
BERA (Potencial Evocado Auditivo)
O BERA avalia como o som é conduzido até o cérebro, analisando a resposta do sistema auditivo aos estímulos sonoros.
É indicado em casos mais específicos, quando há suspeita de alterações no nervo auditivo ou no processamento do som.
Exames de imagem
Em algumas situações, podem ser solicitados exames como ressonância magnética ou tomografia. Eles ajudam a investigar possíveis alterações estruturais no ouvido ou no sistema auditivo.
Realizar os exames corretos é fundamental para entender a causa da surdez e definir o tratamento mais adequado.
Leia também: Teste grátis de aparelho auditivo: como funciona?
O que posso fazer para melhorar minha audição?
Melhorar a audição depende da causa da surdez, mas existem algumas ações que podem ajudar a preservar e até recuperar a qualidade da escuta no dia a dia.
Buscar avaliação profissional
O primeiro passo é entender o que está acontecendo com a sua audição. Somente com um diagnóstico correto é possível indicar o tratamento mais adequado.
Usar aparelhos auditivos quando indicado
Quando há perda auditiva permanente, os aparelhos auditivos são uma das principais soluções.
Eles ajudam a amplificar os sons de forma personalizada e melhorar a compreensão da fala, principalmente em ambientes com ruído.
Fazer acompanhamento fonoaudiológico
O acompanhamento com o fonoaudiólogo é essencial para adaptar o uso de aparelhos auditivos e treinar a escuta.
Esse processo ajuda o cérebro a interpretar melhor os sons novamente.
Evitar exposição a sons altos
Reduzir o contato com ruídos intensos ajuda a evitar a piora da audição.
Sempre que possível, diminua o volume de fones de ouvido e evite ambientes muito barulhentos por longos períodos.
Cuidar da saúde geral
Doenças como diabetes e hipertensão podem impactar a audição.
Manter a saúde em dia contribui diretamente para preservar a capacidade auditiva.
Criar hábitos que facilitem a comunicação
Olhar para quem está falando, evitar ambientes muito ruidosos e pedir para repetir quando necessário são atitudes simples que ajudam no dia a dia.
O mais importante é entender que existem caminhos para melhorar a audição e a comunicação. Com o acompanhamento certo, é possível ter mais clareza ao ouvir e mais segurança nas interações do dia a dia.
Leia também: 5 vantagens do aparelho auditivo para quem trabalha
Conclusão
A surdez pode se manifestar de diferentes formas e níveis, e nem sempre significa a perda total da audição. Em muitos casos, ela começa de forma leve e evolui com o tempo, impactando a comunicação e a qualidade de vida.
Ao longo deste conteúdo, você viu que existem diferentes tipos, causas e formas de diagnóstico. Entender essas diferenças é essencial para identificar o problema cedo e buscar o tratamento mais adequado.
O mais importante é não ignorar os sinais. Dificuldades para ouvir ou entender conversas fazem parte de um processo que pode ser acompanhado e tratado com segurança.
Se você percebe alguma alteração na sua audição, buscar uma avaliação profissional é o primeiro passo para voltar a ouvir com mais clareza e manter sua qualidade de vida.


